
Pleribus disponível no Apple TV+, é uma das produções mais enigmáticas e comentadas da atual fase do streaming da plataforma. A série se destaca ao explorar temas de identidade, percepção da realidade e interconectividade entre personagens que, à primeira vista, parecem não ter nada em comum. O título, uma variação da expressão latina “e pluribus unum” (“de muitos, um”), já antecipa o conceito central da narrativa: múltiplas histórias que se entrelaçam de maneira sutil, construindo uma verdade fragmentada, mas unificada por um ponto comum ainda oculto nos episódios iniciais. A estrutura episódica segue diferentes protagonistas em realidades paralelas ou momentos distintos, e o roteiro se recusa a entregar respostas fáceis, exigindo atenção do espectador aos detalhes visuais, simbólicos e emocionais. O design de produção é meticulosamente calculado para reforçar essa atmosfera de desorientação, com cenários que se repetem com pequenas variações, criando um desconforto proposital. As atuações são contidas, quase minimalistas, destacando a tensão interna dos personagens diante de eventos que desafiam a lógica. Há ecos de obras como Dark e The OA, mas “Pleribus” mantém uma identidade própria ao evitar o excesso de explicações e focar mais na experiência sensorial e emocional do espectador. A direção aposta em cortes secos, ângulos simétricos e uma trilha sonora atmosférica que intensifica a sensação de que há algo profundamente errado em cada cena. Embora possa afastar quem busca um enredo direto ou resoluções rápidas, a série encontra seu público ideal entre aqueles que apreciam narrativas desafiadoras e abertas à interpretação. Em um cenário saturado de séries que entregam tudo de forma didática, “Pleribus” é um experimento narrativo corajoso que se recusa a subestimar a inteligência do espectador.
A pessoa mais triste da Terra deve salvar o mundo da felicidade.